O fundador

 

Originário de uma família de imigrantes italianos que vieram tentar a vida no Brasil plantando soja e criando gado, Rudimar Fedrigo encontrou sua verdadeira vocação em área muito distinta: as Artes Marciais. Após aprender Muay Thai com o lendário Nélio "Naja", introdutor do esporte no Brasil, Rudimar criou sua própria equipe, a Chute Boxe. Com um estilo muito especial de ensinar, pautado por muita liderança, dedicação e cabeça aberta para outras modalidades, Fedrigo conseguiu formar um exército de campeões mundiais. Hoje, é difícil não associar os títulos conseguidos por Wanderlei Silva (Pride), "Pelé" Landy (IVC), Anderson Silva (Shooto), Murilo "Ninja" (Meca) e Assuério Silva (Meca) a Rudimar Fedrigo, sem dúvida um dos técnicos de Vale-Tudo mais respeitados da atualidade.
Hoje Rudimar Fedrigo além de ser o dono de uma das marcas mais valiosas do mundo da luta já foi eleito o secretário de esportes da cidade de Curitiba e hoje atua como sub-secretário de esportes do estado do PR, coordenando eventos e movimentando o esporte no estado.


COMO VOCÊ, UM DESCENDENTE DE AGRICULTORES ITALIANOS, SE INICIOU NAS ARTES MARCIAIS?

Os pais dos meus pais vieram da Itália e se instalaram numa colônia de italianos no Rio Grande do Sul. Depois os meus pais venderam os terrenos e vieram para o Paraná se aventurar na plantação de soja e criação de gado. Quando eu tinha entre 12 e 13 anos sofri um acidente gravíssimo. Estava andando de bicicleta, uma pessoa abriu a porta do carro, eu caí e o carro passou por cima da minha perna. Tive uma fratura exposta terrível. Passei muito tempo parado. Após a cirurgia, fiquei com gesso e tração na perna. Os médicos diziam que eu ia ficar com uma perna mais curta que a outra e que deveria procurar um esporte que fosse uma fisioterapia. Acabei lutando Muay Thai e a perna que eu quebrei acabou sendo a mesma que eu chuto e tenho mais flexibilidade.

POR QUE ESCOLHEU O MUAY THAI?

Na época, um carioca chamado Nélio Naja estava introduzindo o Muay Thai aqui em Curitiba. Tinha muita gente andando nas ruas com camisetas e aquilo despertou o meu interesse. Foi aí que conheci o Nélio, que tinha o apelido de Naja porque dizia que os golpes do Muay Thai têm que ser que nem os botes de uma naja, rápidos, certeiros e mortíferos. Entrei com 13 anos e comecei a treinar muito. Era fissurado, treinava duas vezes por dia.

QUAL O SEGREDO DA SUA INABALÁVEL LIDERANÇA À FRENTE DA EQUIPE?

Disciplina, respeito e amizade. Vários atletas chegam ao ponto de se aconselhar comigo com relação a problemas financeiros e sentimentais. O líder tem que ter pulso firme e muitas vezes ser duro com seus atletas.Não adianta preparar os lutadores só na parte física, tem que se preocupar com a parte mental também. E eu me preocupo muito com isso. Quando um lutador vai lutar todo mundo ajuda. Os japoneses costumam dizer que os atletas da Chute Boxe entram no ringue para matar e não para morrer. Tenho certeza que a nossa equipe vai fazer história no Vale-Tudo, ainda temos muitos talentos a serem revelados.

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