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Ter, 07 de Fevereiro de 2012 08:44

Esporte, hobbie e entretenimento: Alunos de Luciano Monge são destaque na Gazeta do Povo

Escrito por  Victor Hugo Carvalho Leite
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Considerado um esporte para superatletas por envolver várias artes marciais, o MMA atrai a cada dia mais praticantes, inclusive os mais jovens, embalados pela explosão da modalidade[

 

 / Julio Gaúcho aplica golpe no oponente: começo na capoeira aos 8 anosO lutador Julio César Fer­nandes é uma das promessas do MMA (Mixed Martial Arts, ou Artes Marciais Mistas em português), modalidade que virou febre entre os fãs de esportes. Mas o caminho para chegar ao octógono foi longo. Aos 21 anos, Julio Gaúcho, como ficou conhecido ao pôr os pés em Curitiba, treina pelo menos duas horas por dia – e isso envolve fundamentos do jiu-jítsu, judô, muay thai, boxe e luta greco-romana. “Eu comecei a praticar artes marciais aos 8, quando fazia capoeira. Depois passei pelo taekwondo, e aos 12 comecei o jiu-jítsu. Mas a minha primeira luta de MMA foi só aos 16”, lembra o atleta.


Passar por várias lutas antes de cair no octógono é uma realidade para a maioria dos praticantes do MMA, sejam eles amadores ou não. E a razão para isso, segundo profissionais da área, está no treinamento pesado que o esporte exige. “O treino do MMA é muito rígido, tanto que é possível dizer que os praticantes são superatletas. Por isso, quem costuma fazê-lo já tem um conhecimento prévio em outras lutas. Mas com a popularização do esporte, vemos uma procura muito grande por jovens, principalmente a partir dos 14 anos”, aponta o fundador da academia Chute Boxe, de Curitiba, Ru­­­di­­mar Fedrigo. Foi na Chute Boxe, aliás, que começaram alguns dos maiores campeões brasileiros do UFC (Ultimate Fighting Cham­­pionship), o principal campeonato de MMA do mundo, como Anderson Silva e Maurício Sho­­­gun; e onde Gaúcho e tantas ou­­­­tras promessas treinam para tentar fazer o mesmo.

Alternativa

Mas o conhecimento prévio em outras artes marciais não é uma exigência para quem procura o MMA como uma alternativa para se manter em forma. “Acho que é bom começar direto pelo MMA, porque com ele a pessoa aprende um pouco de tudo: boxe, luta greco-romana... É uma forma de perder peso e uma alternativa de defesa pessoal. E ainda dá para fazer amigos”, destaca Julio.

Pedro Henrique Alves, de 17 anos, também acha uma boa adotar o esporte como hobbie: “Para quem quer fazer um esporte, o MMA dá um bom condicionamento físico e bastante fôlego. Ele é bastante completo, por envolver diversas lutas, e tem um treino diferente para quem não quer competir”, acrescenta.

Nova geração

Pedro faz parte de uma nova geração que tem o MMA como referência quando o assunto são as artes marciais. Surgido na década de 1930, o esporte só começou a se firmar a partir dos anos 1990 – leia mais abaixo – com o nome de Vale Tudo. Mas foi no ano passado, quando recebeu destaque da mídia e passou a invadir os telões de bares da cidade, que a prática conquistou o coração do público. “Acho que um dos motivos para isso é o fato de o MMA ser um esporte de alto rendimento. Ele exige uma grande capacidade individual do atleta e nunca é previsível, já que cada um tem o seu próprio estilo”, avalia Gaúcho.

Já Rudimar acredita que o crescimento da modalidade pode ser explicado pelo status de espetáculo que o MMA alcançou depois das transmissões pomposas dadas ao UFC. “A televisão tem um papel muito importante nessa popularização, principalmente nos EUA, onde o esporte virou uma forma de entretenimento.”

Prática e humildade são segredos para o nocaute

Três vezes por semana, os jovens Pedro Henrique Alves, de 17 anos, e João Gabriel Bonat, de 15, dedicam uma hora e meia por dia ao treinamento de muay thai. O boxe tailandês, como também é conhecido, é uma das artes-marciais que compõem o MMA, junto com o boxe, o jiu-jítsu, a luta greco-romana e o judô, e dominá-lo pode fazer toda a diferença dentro do octógono.

O sonho de estar sob os holofotes e levantar o cinturão acompanha a rotina desses jovens desde pequenos, que treinam duro para um dia serem campeões da modalidade. “Quando era criança, lembro que via as lutas na tevê e achava tudo aquilo muito massa. A adrenalina de bater, apanhar, ser adorado por um país. Acho que foi isso o que me atraiu no MMA”, lembra João, que começou a lutar judô na infância e há quatro meses pratica o muay thai.

O plano dele é começar a competir como amador aos 17 para depois, aos 18, lutar entre os profissionais da modalidade. Mas ele sabe que para isso é necessária muita paixão e humildade: “o MMA é um estilo muito duro. Tem que gostar muito para praticá-lo. Além disso, para ser um lutador é preciso ser humilde, como é o caso do Anderson Silva.”

Já Pedro Henrique Alves se prepara para competições desde os 15 anos e, até agora, participou de dois combates de MMA. Ele concorda que para os atletas o treinamento direcionado ao octógono é puxado, e dá alguns conselhos para quem pensa em um dia encarar o desafio: “não comece treinando direto o MMA. Essa é uma má ideia, porque é importante dominar todas as artes marciais que envolvem o esporte.”

 / Pedro Henrique Alves, de 17 anos: duas competIções na bagagemJulio César Fernandes, o Gaúcho, é um exemplo dessa necessidade. Antes da sua primeira luta profissional, aos 16 anos, o jovem, hoje com 21, passou pelos ringues de boxe, competindo em Santa Catarina, e irá neste ano para a Tailândia, onde ampliará os seus conhecimentos no muay thai. “Não sou muito de sair à noite e levo muito a sério o meu treinamento. É cansativo, mas vale a pena.”

Em busca do seu sonho, Gaúcho vive para os treinos e é patrocinado pela academia de São José dos Pinhais. Com a ajuda que ganha, vive com a esposa em uma casa pequena em Curitiba, mas já teve de viver na casa de um tio, em Florianópolis, e alugar um quarto por três meses na capital paranaense. Mas, de degrau em degrau, ele vai construindo o seu caminho sobre o tatame.

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