Por Marcelo Barone
Foto Eduardo Ferreira
“Melhor dia, melhor vitória, melhor apresentação, melhor torcida, melhor tudo”. A frase repleta de empolgação é de Felipe “Sertanejo” Arantes e é justificada diante da primeira vitória do atleta no UFC, obtida contra Antonio “Pato” Carvalho, no último sábado (14). O atleta de São Paulo, que havia perdido na primeira edição do UFC Rio, se redimiu diante do canadense e conseguiu o resultado positivo.
Em entrevista à TATAME, o representante da Chute Boxe contou como foram os momentos que sucederam o combate, falou da esperança de atuar no UFC São Paulo e revelou que por pouco não desistiu do combate uma semana antes do evento.
“Ele é bom no Jiu-Jitsu, faixa-preta, então eu só queria tomar cuidado com as quedas e levar a luta em pé, o que sempre busco. Não teve muita estratégia. Na verdade, queria era soltar bastante a parte de mão e tentar ganhar o centro do octógono, o que eu consegui”.
Leia a entrevista completa abaixo:
Você tinha 13 vitórias em outros eventos, mas essa foi a primeira no UFC. Foi diferente?
Com certeza. Foi a melhor vitória que eu tive. Até aquele dia não tinha caído a ficha que eu estava lá dentro. Ganhei uma luta e aí que você vê que pode estar lá e que você merece estar lá dentro.
Foi o melhor dia da sua vida?
Melhor dia, melhor vitória, melhor apresentação, melhor torcida, melhor tudo. Vou guardar foto, vídeo, mostrar para os meus netos e falar que um dia eu batalhei no UFC (risos).
Como foi o dia seguinte, ao ver a repercussão do evento?
Abri um monte de fotos em sites para ver a luta. O dia seguinte foi o melhor dia possível: acordar com a vitória, acordar sem o peso nas costas de precisar ganhar. Acordei tranquilo, falei com a minha família, compartilhei um pouquinho da emoção com a galera. Foi muito bom.
Depois que você sobe na grade para comemorar, você “desaba”. O que significou aquele momento?
Na verdade, eu tentei comemorar com a galera, mas surge um filme na cabeça, dos treinos e tudo que eu passei. Tive uma lesão na costela, até pensei em não lutar por conta disso, então eu me lembrei de tudo, do meu irmão... Foi muito emocionante. Eu não aguentei. Aí foi quando passou o filme na cabeça e eu dei aquela surtada.
Quando você se machucou?
Uma semana antes, nos treinos aqui na academia. Estava com o meu sparing, o Coala, na parte de Wrestling. Foi quando ele “encavalou” a minha costela e a gente até chegou a cogitar não lutar, mas eu botei na cabeça que ia de qualquer jeito. Graças a Deus, na hora eu não senti nada. A adrenalina deu uma baixada na dor, mas na hora ali eu pensei em tudo... Eu poderia não estar ali.
Você nasceu em São Paulo e, em junho, terá uma edição do UFC lá. Gostaria de ser escalado?
Cara, seria mais um presente poder lutar aqui. Lutar no Brasil é a melhor coisa que tem, ainda mais que eu sou paulista, então ia lutar na minha casa. Seria mais um sonho realizado. Normalmente você espera uns quatro meses para lutar, então seria o tempo certo. Tomara que os caras me chamem, ia ser o bicho.
Com a primeira vitória acredita que lutará mais solto?
Então, quando eu ganho assim, eu me identifico mais com o UFC. Eu penso: ‘estou aqui porque ganhei, tenho potencial de estar aqui’. É difícil ter a chance e estrear com derrota. Eu tirei uma tonelada das minhas costas. Eu sempre entro confiante, nunca entrei nervoso, mas tem essa parte da pressão. Eu não podia perder de jeito nenhum. A corda estava mais ou menos no pescoço, mesmo que eu tivesse mais duas lutas no contrato. Todo mundo sabe que, se perder, os caras mandam embora. Foi muito boa essa vitória apra me deixar bem lá dentro e para mim mesmo, para provar para mim e para a minha equipe que eu posso chegar lá, pegar o cinturão da categoria.






